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Produtores querem certificar café

A última quinta-feira foi um dia atípico na Câmara dos Vereadores de Santo Antônio da Platina. Ao invés de uma sessão política, a casa recebeu aproximadamente 100 produtores de café de toda a região que acompanharam palestras e explicações técnicas sobre o certificado 4C (Código Comum da Comunidade Cafeeira). A certificação possibilita ao produtor atestar que a propriedade rural está em conformidade com as exigências do mercado mundial.

Além dos produtores, o evento promovido pela Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp) reuniu Luiz Henrique Ferroni, vice-presidente da Acenpp, Odemir Capello, consultor do Sebrae de Jacarezinho, Fernando Giachini Lopes, diretor do Instituto Totum (representante oficial do 4C no Brasil) e Celina Almeida, consultora do instituto.

Luiz Ferroni defendeu a certificação de propriedades e ressaltou a importância da região na produção cafeeira. “Nós temos aqui no Norte Pioneiro clima, relevo e temperatura ideais para a produção de um café de alta qualidade, um café especial, que é o que o mercado interno e externo busca atualmente”, disse. A temperatura média anual da região do Norte Pioneiro é de 20 a 22 Cº e com uma altitude de 500 a 700 metros, números considerados ideais para a produção de cafés especiais.

Segundo Ferroni, a oportunidade de aderir a Acenpp aproximaria o pequeno produtor de grandes compradores de café do Brasil e de todo o mundo, como a Nestlé, por exemplo. Já que a associação é filiada à Associação 4C, que tem autonomia para outorgar o certificado aprovando que o café é de alta qualidade. “O produtor que respeitar as normas pedidas pelo 4C serão reconhecidos como produtores de cafés especiais, o que chamaria a atenção da indústria e do comércio comprador de café”, completou.

Resgatar a produção

Odemir Capello, consultor do Sebrae de Jacarezinho, disse o grande objetivo, desde o começo, era resgatar o Norte Pioneiro na produção cafeeira de qualidade, agregando valor ao café produzido na região, equiparandose aos estados de Minas Gerais e São Paulo, que atualmente são referência no negócio.

Capello listou aos produtores, alguns pontos considerados importantes para conseguir a certifi cação do 4C. Na opinião dele, é essencial que o produtor esteja capacitado e bem informado sobre o mercado e tecnologias; que tenha um representante político (grupo gestor) e um bom apelo publicitário. E por último uma marca forte que represente sua propriedade e, conseqüentemente, toda a produção de café especial do Norte Pioneiro.

Como forma de marketing, considerada essencial no processo de venda do café, Capello ainda considerou a caracterização da bebida e a indicação geográfica da produção do grão como de extrema importância. O ideal, segundo ele, é tornar a região de onde vem o café como um indicador de qualidade. “Algumas marcas e produtos ficaram famosas por conta da sua procedência como vinho do Porto, café do Cerrado, presunto e queijo de Parma. Teríamos também, no caso, o café do Norte Pioneiro como chamativo aos grandes compradores”, explica o consultor do Sebrae.

Capello ainda lembrou que a região já é considerada tradicional no mercado, por produzir café a mais de 100 anos. "Uma pesquisa feita na safra de 2005/06 aponta que nossa região é responsável a 44% da produção de café do Paraná, com cerca de sete mil produtores. Lembrando que o café produzido aqui é 100% do tipo arábico", completou.

Ele contou também um pouco da história do projeto Acenpp para certificação 4C, que, depois de dois anos de reuniões, diagnósticos, planejamento e parcerias, tornou-se um programa. Segundo Capello, as reuniões começaram em 2006 em uma articulação entre Faep, Sebrae e Apac.

fonte:
Jornal Tribuna do Vale
Data: 31/08/2008

 

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