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Vale traça plano para mudanças climáticas
Denise Juliani | Gazeta Mercantil
São Paulo, 27 de Junho de 2008 - O conselho de administração da Companhia Vale do Rio Doce (Vale) aprovou ontem um plano estratégico que definirá sua atuação de longo prazo diante das mudanças climáticas. O plano, batizado de Programa Carbono Vale é resultado de meses de discussões internas e ainda terá de ser examinado pela diretoria executiva da companhia. Em linhas gerais, busca avaliar os riscos e as oportunidades associadas às mudanças climáticas.
Embora a atividade de mineração não seja considerada uma grande emissora de gases de efeito estufa (GEE), como o carbono, a Vale já divulga sua política para as mudanças climáticas por meio do questionário do Carbon Disclosure Project (CDP) - iniciativa de investidores globais de longo prazo que realiza uma ampla pesquisa sobre a atuação das companhias em todos os continentes em relação às mudanças climáticas.
O inventário de emissões da Vale no ano passado chegou a 15 milhões de toneladas, isso já incluindo as emissões da canadense Inco, adquirida em 2006. Para Flavio Montenegro, gerente-geral de relações institucionais e mudanças climáticas da Vale, investidores e empresas estão hoje mais conscientes da importância estratégica que as mudanças climáticas representam no longo prazo.
Para Montenegro, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado no início do ano passado em Paris, foi um divisor de águas. "O documento trouxe um nível de certeza muito maior do que os anteriores sobre as mudanças climáticas e contribuiu para que as empresas percebessem que esta é uma questão estratégica", disse, durante evento sobre o mercado de carbono promovido ontem pelo Ibmec São Paulo.
No caso da Vale, diz, não vemos impacto no curto prazo, mas a companhia olha seu fluxo de caixa em uma perspectiva de 30, 40, 50 anos e faz todo o sentido começar a se preparar já para eventos que não impactam sua atuação no momento. "Os investidores de longo prazo também começam a premiar as empresas que demonstram maior preocupação com a sustentabilidade."
Segundo ele, a 13Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13) da ONU, realizada em Bali, na Indonésia, em dezembro do ano passado, trouxe novas questões relativas aos riscos e oportunidades das mudanças climáticas a serem consideradas pelas empresas.
No campo dos riscos, destaca-se uma forte tendência de imposição de metas de redução das emissões pelos países em desenvolvimento, bem como uma possível inclusão de metas regionais e setoriais. A imposição de regras de mercado mais rigorosas e a criação de barreiras não tarifárias para produtos e atividades fortemente emissoras de carbono é outro risco potencial.
Entre as oportunidades de negócios está a possibilidade de remuneração de floresta em pé, um assunto que já foi tabu nas discussões internacionais - deixado de lado na formulação do Protocolo de Kyoto, em 1998, por exemplo - mas que hoje já é visto com naturalidade e até mesmo alguns negócios começam a ser alinhavados, completa Marco Antonio Fujihara, sócio do Instituto Totum e da Sustaincapital, gestora especializada em investimentos com enfoque em sustentabilidade e que dá consultoria para a Vale.
A Vale está em uma situação bastante peculiar. Embora seja uma empresa brasileira, possui unidades em países do anexo 1 - os chamados desenvolvidos, que têm metas de redução de emissões de carbono. Por enquanto, a empresa não tem obrigação de reduzir suas emissões naquelas regiões, conta Montenegro. Na França, por exemplo, a atividade de mineração não é enquadrada como setor crítico e está livre do cumprimento de metas. As outras unidades externas em países desenvolvidos da Vale estão no Canadá e na Austrália, que ainda não definiram suas políticas neste campo, pois ratificaram o Protocolo de Kyoto mais recentemente.
Essas iniciativas têm um caráter estratégico para a companhia, pois no longo prazo, a atenção à sustentabilidade tem impacto na percepção de custo do capital que o mercado tem da empresa, ou seja, quanto mais investe em sustentabilidade, menor o risco e o custo de captação também cai. Não é à toa que os investidores estão cada vez mais em busca de informações sobre a atuação sustentável das companhias.
fonte:
Gazeta Mercantil
Data: 27/06/2008
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