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Conservação lucrativa

Uma das maiores autoprodutoras de energia elétrica do Brasil, a ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo, deu mais um passo em seu programa de eficiência energética. Mais uma vez, além de reduzir os gastos com energia, a companhia quer aumentar a receita a partir dos projetos de conservação. Por isso a siderúrgica está costurando a sua segunda operação de venda de créditos de carbono de um projeto de cogeração a partir de gases residuais da produção de aço.

A primeira venda de créditos de carbono foi concluída no primeiro semestre. Na ocasião, a empresa – a primeira produtora de aço integrada a registrar um projeto de crédito de carbono na Organização das Nações Unidas (ONU) – comercializou, por US$ 5 milhões, 330 mil t de CO2 para o banco alemão Kreditanstalt fuer Wiederaufbau (KfW). A instituição, espécie de BNDES da Alemanha, também deverá ser a compradora dos créditos na segunda operação.

Ainda sem data prevista para ser concluída, a negociação envolverá as 100 mil t de CO2 restantes do projeto de cogeração. A expectativa é que a transação gire em torno de US$ 1,55 milhão (ou R$ 2,88 milhões), a partir da cotação atual de € 11 (US$ 15,50) por tonelada de CO2. Como da primeira vez, a operação deverá ser intermediada pelo Instituto Totum, consultoria especializada em projetos de desenvolvimento sustentável.

Iniciado em 2004, o projeto de cogeração envolve quatro centrais termelétricas que operam com gases de alto-forno (GAF), resultantes da produção industrial na aciaria. Juntas, as plantas somam 286 MW de capacidade instalada.

 

Mais MDL a caminho

A ArcelorMittal possui mais dois projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) em andamento. Um deles também envolve o aproveitamento integral de gases, oriundos da queima de carvão mineral na Sol Coqueria Tubarão, jointventure formada por ArcelorMittal Tubarão, ArcelorMittal Belgo e Sun Coke International.

Com capacidade para produzir 1,5 milhão de t/ano de coque, a unidade conta com um processo de recuperação de calor (heat recovery) que permite a produção de 170 MW de energia elétrica pela central termelétrica da coqueria. A unidade tem potencial para gerar 3,7 mil t de CO2 de créditos de carbono em sete anos.

“Apesar de não ser uma siderúrgica que utiliza carvão vegetal, o que geraria ainda mais créditos de carbono, a ArcelorMittal deve alcançar taxas significativas de retorno a partir da venda de créditos na rota de coque”, confirma o diretor da KEYASSOCIADOS, empresa especializada no mercado de créditos de carbono, Marco Antônio Fujihara.

O outro projeto de MDL é o do terminal de barcaças marítimas, no complexo portuário de Tubarão, em Vitória, que começou a operar em setembro de 2006. O terminal tem capacidade para transportar até 1,1 milhão de t/ano de bobinas a quente para a ArcelorMittal Vega, em Santa Catarina, substituindo o transporte de 1.170 km feito por 110 caminhões diariamente. A expectativa é que esse projeto receba o registro no MDL até o fim deste ano.

 

Venda de excedentes

Ao todo, a ArcelorMittal Tubarão possui quase 500 MW de capacidade instalada e uma demanda de aproximadamente 345 MW. Por isso, além de atender todo o consumo da unidade industrial, a empresa ainda vende excedentes no mercado elétrico. A companhia tem contrato assinado com a Tractebel para a venda de 90 MW médios anuais até dezembro de 2011, o que lhe rendeu mais R$ 300 milhões.

Outra medida, adotada pela companhia no ano passado, foi reduzir a velocidade de bobinadeiras laminadoras de tiras a quente, de 2 m/s para 1 m/s. Isso representou uma redução de 52% no consumo de energia dessa operação, com economia mensal de 160 MWh.

O programa de eficiência energética da ArcelorMittal Tubarão começou a ser implantado em 1998. Por esse motivo, segundo Luiz Antônio Rossi, gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal Tubarão, a unidade não sofreu os impactos da política de racionamento de energia, ocorrida entre 2001 e 2002.

Em 2008, o consumo total de energia primária do grupo ArcelorMittal no Brasil foi de 169,3 milhões de gigajoules (GJ), volume semelhante ao apurado no ano anterior e 13% inferior ao consumido em 2006, de 195,6 milhões de GJ.

 

fonte: Portal Brasil Energia
Data: 04/09/2009

 

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