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Para Abic, Brasil pode ser o grande fornecedor mundial de cafés 4C
Montante responde por 3,5% da produção global e supera a expectativa inicial, que era de 2,8 milhões de sacas. O Brasil será responsável por cerca de 2 milhões de sacas. Para especialista, poucas fazendas no país não terão condições de respeitar o código.
A Associação 4C realiza na quarta-feira, (26/09), em Londres, o segundo lançamento do Código Comum para a Comunidade Cafeeira (4C), desta vez voltado para o setor de comércio. O código já havia sido divulgado na última sexta-feira, dia 21 de setembro, quando foram abordados os aspectos técnicos do documento. O lançamento acontece simultaneamente à reunião anual da Organização Internacional do Café (OIC). O código entra em vigor a partir do dia 1º de outubro, quando começa a ser comercializado o café em grão cru produzido dentro das especificações da 4C.
O programa 4C foi desenvolvido nos últimos três anos pela Associação 4C, que conta com os maiores compradores mundiais de café, como a Nestlé, Melitta e Sara Lee, além de produtores e industriais, representando mais de 50% do setor mundial. O programa busca a sustentabilidade da cadeia produtiva do café, baseado na preservação ambiental com abrangência para dimensões sociais e econômicas. Já na safra 2007-2008, 4,4 milhões de sacas no mundo terão o selo - 3,5% da produção total -, superando a expectativa inicial, que era de 2,8 milhões de sacas. O Brasil será responsável por cerca de 2 milhões de sacas de café 4C nesta primeira safra.
O 4C possui, em primeiro lugar, uma série de práticas que não são admitidas, como trabalho infantil, trabalho escravo, uso de pesticidas banidos mundialmente. Além destas, ainda há mais de 30 conceitos de sustentabilidade econômica, social e ambiental que devem ser levados em consideração. O sistema funciona como se fosse um semáforo. Cada prática tem três níveis - vermelho, amarelo e verde. Por ser um sistema agregador, se em um conceito o player estiver vermelho, pode ser compensado com um outro conceito verde. Para receber o selo, o player precisa estar amarelo na média geral. Na questão ambiental, por exemplo, um dos critérios é o grau de adoção de pesticidas; na área social, o incentivo à educação das crianças da propriedade; e na área econômica a valorização do café de acordo com sua qualidade - quanto melhor, mais deve ser pago.
Projetos-pilotos para testar a qualidade do produto brasileiro foram realizados em fevereiro e março deste ano pelo Instituto Totum, organismo certificador e parceiro do 4C. Foram analisadas 11 fazendas de quatro cooperativas, no Norte de São Paulo, Sul de Minas Gerais e Cerrado mineiro, com aproximadamente 600 hectares. Segundo o diretor do instituto, Fernando Lopes, apenas algumas poucas fazendas no Brasil não possuem os requisitos mínimos para receberem o selo. "Esta é uma ótima oportunidade para o reconhecimento da sustentabilidade que já vem sendo implantada no Brasil há alguns anos." Ele acredita que o selo deve abrir novos mercados para produtores e empresas que ainda não tinham acesso a eles.
Lopes afirma que o 4C não é apenas uma certificação, e sim uma associação aberta a produtores, exportadores, traders, indústrias, e onde todos podem interagir. Inclusive, por enquanto o 4C não será um selo que estará estampado no produto final, apenas em sacas e discriminado nos contratos. Para participar, a empresa tem de se associar e pagar uma taxa anual de filiação, de acordo com a quantidade de sacas e da categoria do associado. A expectativa é que todas as áreas que possuem condições de se associar entrem nos próximos anos, e que as demais comecem a se adequar. A associação possui, inclusive, orçamento para fazer essa promoção nessas regiões.
Por Tiago Agostini - Florianópolis
fonte:
Veículo: NetMarinha
Data: 25/09/2007
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