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Novos canais para reclamar de atendimento
Entidades de relacionamento com clientes criam código de ética,
ouvidoria e selo de qualidade para o setor
por Nadja Sampaio
Reclamar do serviço de uma empresa de atendimento ao consumidor, como call centers e telemarketing, é um trabalho perdido, e a pessoa fica sem saber o que fazer com sua indignação. Mas, a partir de agosto, ela terá um canal para reclamar e obter uma resposta: as entidades que
tratam do relacionamento empresa-cliente, seja este feito por telefone ou e-mail, estão elaborando um código de auto-regulamentação. Também será instituída uma ouvidoria independente para responder às reclamações.
As três principais entidades do setor - Associação Brasileira de Telemarketing (ABT), Associação Brasileirade Marketing Direto (Abemd) e Associação Brasileira de Relacionamento Empresa-Cliente (Abrarec)- reuniram cerca de 70 empresas que estão implementando uma auto-regulamentação, que se constituirá de um código de ética, uma ouvidoria e um selo de qualidade. Essas regras terão de ser seguidas pelos serviços de atendimento ao consumidor (SACs) das empresas.
Qualquer grupo de pessoas poderia fazer um 'call center'
Topázio Silveira Neto, presidente da ABT e dono da SoftWay Contact Center, diz que o setor precisava de regulamentação, porque, em tese, um grupo de pessoas com alguns telefones podia fazer um call center. - O certificado de qualidade vai mostrar ao mercado quais as empresas que cumprem as normas.
O Instituto Totum está à frente da implementação do código de ética e do selo de qualidade. Seu diretor, Melvin Cymbalista explica que os representantes das 70 empresas discutiram cada ponto do código: - Tanto a empresa de call center como quem a contratou responderão pelo cumprimento do código de ética e das normas.
Se as queixas dos consumidores mostrarem que as empresas continuam errando, elas poderão ser advertidas, perderem o selo e até serem denunciadas à imprensa. Cymbalista diz que o selo de qualidade - que terá validade de um ano - será voluntário.
Para recebê-lo, a empresa terá de passar por uma auditoria independente, ficando bem pontuada nos indicadores de qualidade de estratégia, processos operacionais, pessoas e tecnologia.
Não vamos ensinar as empresas a trabalhar, mas elas terão de ter planejamento e controle da operação, cumprir as leis trabalhistas e verificar o clima da empresa, adotar tecnologia que garanta privacidade, entre outros pontos - explica Cymbalista.
Presidente da IBRC: sociedade deveria participar das discussões
Uma das coisas que mais irritam os consumidores é o atendimento burocrático, amarrado em um script. Roberto Meir, presidente da Abrarec, diz que as empresas já começaram a testar um atendimento mais solto e com mais autonomia. Ele afirma que o medo inicial era de que o tempo de atendimento aumentasse muito, mas testes mostraram que não foi o que aconteceu:
- O atendente tem de ter parâmetros para as respostas, mas um script muito amarrado atrapalha.
Alexandra Periscinoto, presidente da SPCom, comanda três mil funcionários e atende a empresas de telefonia, bancos e TV por assinatura, entre outras. Ela diz que este setor já é muito elogiado no exterior e o selo de qualidade aumentará a possibilidade de se oferecer atendimento a empresas localizadas fora do Brasil:
- O mercado offshore é o futuro.
Alexandre Diogo, presidente do Instituto Brasileiro de Relações com o Cliente (IBRC), acha que é uma ótima iniciativa do setor, mas é preciso atentar para alguns pontos:
- É preciso inserir a sociedade nesta discussão, já que o consumidor é o foco principal. Também é
preciso garantir a flexibilidade das normas para que elas possam ser mudadas, inclusive por sugestões da ouvidoria. E a auditoria precisa ter critérios claros e levar em conta a satisfação dos clientes.
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ALEXANDRA PERISCINOTO, que comanda três mil funcionários na SPCom, diz que qualidade proporcionará crescimento ao setor |
Algumas determinações a serem respeitadas
fonte: Jornal O Globo, edição de 17/07/05