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O crescimento do call center com a auto-regulamentação
Diretor do Instituto Totum conta que o segmento ganhará forças, protegendo-se
contra leis abusivas e melhorando a imagem junto à sociedade.
As empresas interessadas em adotar a norma poderão ganhar o Selo de acordo com as boas práticas estabelecidas pelo Código de Conduta Ética da ABT.
Leia entrevista a seguir.
Como nasceu a proposta de auto-regulamentação do
Call Center? Quais
entidades envolvidas?
O projeto de auto-regulamentação foi
uma iniciativa da ABT, ABEMD e ABRAREC que
procurou o Instituto Totum em
meados de 2004 para a concepção completa do programa.
O Instituto Totum, que
já preparou programas de auto-regulamentação
em outros setores, aceitou
este desafio e passou a estruturar o modelo de auto-regulamentação.
Quais os objetivos da auto-regulamentação?
Os principais objetivos são proteger o
mercado atual de leis abusivas e melhorar
a imagem do segmento junto à opinião
pública. Como objetivos decorrentes
também teremos a definição de critérios
de classificação das empresas em
relação às demandas do mercado. O que esperamos é que o projeto de auto-regulamentação organize o
mercado de centrais
de relacionamento e possa ser um
indutor da melhoria das empresas.
Quais as vantagens para as empresas
e clientes?
Para as empresas do setor, o projeto será
instrumento de Auto-Regulamentação,
preservando sua imagem. À medida que
existam instrumentos de controle dos
aspectos éticos, sairão ganhando os clientes que
contratam centrais de relacionamento
e também os consumidores.
Adicionalmente serão definidos critérios de classificação das empresas de forma
que o mercado possa se basear em
parâmetros claros e auditáveis para tomar
suas decisões. Um conceito importante
sob o qual o projeto está sendo
desenvolvido é que todos os associados
sérios poderão pleitear o Selo de Auto-Regulamentação, independente de seu
tamanho.
Com a entrada das normas, os pequenos
call centers poderão balançar
se não tiver capital para investir
em novas tecnologias?
A norma tratará de dois aspectos distintos.
O primeiro aspecto será a Ética, onde
serão contemplados aspectos como horários
de ligação, forma de abordagem,
uso de dados de consumidores, listas, honestidade nas negociações etc.
Todas as
empresas associadas poderão conseguir
este Selo, basta cumprir com as boas
práticas de mercado, espelhadas pelo
Código de Ética.
O segundo aspecto será
análise da Maturidade de Gestão e Capacidade
Potencial. A norma será feita
de forma que serão usados conceitos
que independam do porte da empresa,
tais como Gestão de Pessoas, Gestão de
Processos, Gestão de TI, etc. Assim, sairão ganhando as empresas com boa gestão,
não necessariamente as que ossuem maior
capacidade de investimento.
Em resumo, não há motivos para que
as empresas pequenas sejam prejudicadas,
mas sim há motivos para as empresas não
éticas ou desorganizadas se
preocuparem.
Terá algum apoio e orientação para
aqueles que não tiverem condições
para ter um selo?
A própria norma servirá
como um guia de
aprimoramento. As associações estarão
fora
do processo operacional
de Certificação,
dado que o processo
será gerenciado por
uma entidade independente.
Isso permitirá a elas cumprirem
seu papel institucional,
ou seja, atuarem
diretamente junto aos
associados para que eles tenham condições de
obterem a Certificação.
Essa medida terá apoio do Governo?
Em princípio não. De possede todo o
regulamento, norma e demais componentes da Auto-
Regulamentação, as associações encaminharão
o esquema de
Certificação para aprovação da ABNT
(AssociaçãoBrasileira de NormasTécnicas).
Uma vez conseguidaa aprovação
da norma como Norma Brasileira
Oficial, ela poderá vir a ser usada como
parâmetro legal.
Essa é uma solução legal encontrada
para que não tenha mais leis
que proíbam o call center?
Sim, existem vários setores econômicos
que buscam na auto-regulamentação
uma forma de preservarem seus negócios
e depurarem o mercado de empresas
pouco sérias ou com práticas indesejadas.
Podemos citar, dentre outros, o setor
de Publicidade que criou o Conar e aAssociação da
Indústria de Café, que criou o
Selo de Pureza do Café. Ambos são programas
de sucessode auto-egulamentação
que inibem a criação de leis específicas,
dado que o próprio setor econômico
trata de resolver seus problemas internos.
A Anatel começou fiscalizar centrais de
atendimento de telefonia celular. A
Agência terá algum envolvimento nessa
proposta de auto-regulamentação?
Não, mas ao final ela deverá ser comunicada
sobre o esquemade Certificação e
os controles que o próprio setor econômico
adotou. Certamente usaremos como "input" dos grupos de trabalho os requisitos
de avaliação da própria Anatel, assim
como os requisitos de
avaliação de outras
partes interessadas.
Qual é a importância
da Anatel fiscalizar
essas centrais
de atendimento que
atendem pelo 0800?
A Anatel fiscaliza as
empresasde Telecomunicações e
não as
empresas de Call
Center, para assegurar
a qualidade do
atendimento prestado
ao consumidor final. Como uma das formas
de atendimento é através do Call
Center então existe fiscalização.
A aplicação da norma é mais ampla para o
setor porque é focada em Call Center e
abrange diversos segmentos de empresas
(alimentícios, automobilísticos, eletroeletrônicos,
entre outros).
Você acha que o governo deveria se
envolver nessa fiscalização, comprometendo-se com a qualidade dos serviços
prestados?
Não é o melhor caminho. Quem deveria
zelar para boa imagem do segmento seria
o próprio segmento e é isso que busca este
programa de auto-regulamentação. Quando
as empresas do próprio segmento falham
na auto-regulação, daí a presença
do governo torna-se necessária.
fonte: Revista Tele, edição 54 - abril/maio de 2005