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ALÉM DOS SETE MARES

O café brasileiro industrializado começa a romper uma barreira histórica e inicia um processo de reposicionamento no mercado externo

Por REGINA NEVES

Entre os freqüentadores da feira estão cerca de 800 empresas que montam e distribuem cestas especiais de inúmeras datas comemorativas como Natal, Dia de Ação de Graças, Dia dos Namorados e Páscoa. "Este mercado de cestas especiais é muito amplo nos Estados Unidos e representa um canal de distribuição privilegiado para os nossos cafés gourmet", diz Herszkowicz, que destacou ainda o interesse manisfestado pelos americanos pelos cafés orgânicos certificados.

O bom desempenho na Fancy Food Summer foi precedido pelo sucesso que o produto brasileiro também fez recentemente na França, por meio de eventos ligados ao "Ano do Brasil na França", celebrado em 2005. Foi uma oportunidade para o Programa Setorial Integrado de Exportação do Café Industrializado (PSI) - que também conta com a participação da Apex-Brasil, o Sindicafé-SP e a Abic - colocar marcas próprias de café brasileiro em algumas das mais importantes vitrines e gôndolas gastronômicas de Paris.

Esse foi o caso, por exemplo, da Heliard, um templo do consumo gastronômico com mais de 150 anos de tradição e que trabalha com aproximadamente 30 variedades de café verde provenientes dos quatro cantos do mundo. Essa é a primeira vez que a Heliard abriu suas portas para o café brasileiro. O evento "Uma viagem ao Brasil através de suas regiões produtoras de café"permitiu que fossem expostos na loja, decorada com motivos verde-amarelos, quatro marcas de café representando as diferentes regiões do Brasil - o Bom Dia em nome do Paraná; o café Damasco, da Bahia; o Minas Estate Coffee Group, de Minas Gerais; e o Unicoffe, de São Paulo.

Os clientes da butique francesa estão acostumados a comprar café torrado e moído na hora. A exceção aberta ao café industrializado brasileiro foi decidida por ocasião da visita da cafeóloga da Heliard, a brasileira Eda Freitas, ao País. Ela se impressionou com a qualidade alcançada pelo produto nacional quando participou do Projeto Comprador Apex, realizado durante o 12º Encafé, na Costa do Sauípe, na Bahia, em novembro do ano passado.

O café industrializado nacional também esteve em outra vitrine francesa bastante cobiçada durante o mês de junho: a Galerie Lafayette, que ofereceu aos seus clientes 12 marcas brasileiras. Além disso, ao longo deste ano, a rede francesa Casino, sócia do Grupo Pão de Açúcar, levará 220 produtos para as suas 4. 500 lojas.

Foco em marketing e qualidade

Investimento em marketing e controle de qualidade têm sido uma arma eficaz da cafeicultura brasileira na reconquista do mercado interno. A resposta tem sido tão boa que virou case apresentado pela Organização Internacional do Café. No período de 12 meses, entre novembro de 2003 e outubro do ano passsado, o consumo do produto no País cresceu 8, 97%, cerca de seis vezes mais que a média mundial, de 1, 5% ao ano. Atualmente, o consumo brasileiro é de 15 milhões de sacas por ano, o que representa 13% de todo o consumo mundial de café e mais de 50% do que todos os países produtores do grão consomem em conjunto.

Apenas os Estados Unidos, que consomem 19 milhões de sacas anuais, superam o Brasil. Entretanto, se o crescimento do consumo interno se mantiver nos patamares atuais, o Brasil deverá chegar a 16 milhões de sacas em 2006 e superar os Estados Unidos até 2010.

Para manter e melhorar ainda mais a qualidade do café brasileiro, a Abic criou o Programa de Qualidade do Café (PQC), que certifica as indústrias do setor após um processo que inclui auditorias nas instalações feitas por instituições credenciadoras de renome internacional, sob a coordenação do Instituto Totum, e análises laboratoriais periódicas. Os produtos certificados recebem o direito de usar o "Símbolo de Qualidade" da Abic nas embalagens, juntamente com outro símbolo, com a indicação das características do café que está sendo vendido.

O PQC já certificou 92 marcas e recebeu a adesão de 78 empresas. A meta até o final deste ano é certificar 150 marcas. O PQC, criado em 2003, juntou-se a outro programa da Abic, mais antigo, o "Selo de Pureza", de 1989, que hoje conta com a participação de 500 empresas e mais de mil marcas. Elas representam cerca de 700 mil sacas mensais.

Na opinião do presidente da Abic, Guivan Bueno, as mudanças no setor refletem o que ocorre com o consumidor brasileiro, que está redescobrindo o gosto e o sabor do café nacional.


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fonte: Forbes Online

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