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ALÉM DOS SETE MARES

O café brasileiro industrializado começa a romper uma barreira histórica e inicia um processo de reposicionamento no mercado externo

Por REGINA NEVES

Pela primeira vez na sua história, o café brasileiro torrado e moído começa a conquistar o papel que lhe cabe por direito tanto no mercado externo - afinal, somos o maior produtor do mundo - quanto interno. Mais do que um hábito nacional, o cafezinho sempre foi parte integrante da construção da identidade nacional, além de ser um dos protagonistas da história econômica do País.

"Levamos mais de 270 anos para o café brasileiro começar a deixar de ser commodity", diz o empresário Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). "Só nos últimos quatro anos, com exceção do café solúvel, que exportamos há 40 anos, começamos a vender para o exterior, além do café verde, o café torrado e moído, produto de maior valor agregado", diz Herszkowicz, que tem se dedicado à divulgação da importância econômica e estratégica para o Brasil de produzir cafés com elevados padrões de qualidade. "A sorte é que estamos andando rápido. "

O grupo exportador ligado à Apex- Brasil, por exemplo, que começou com 13 empresas, hoje já tem 40. "No ano passado, exportamos US$ 8, 8 milhões. Para este ano, a previsão é de chegar a US$ 12 milhões", diz. Ele destaca a ação conjunta do programa da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), o Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo e a Abic, que destinou R$ 11 milhões, desde 2003, para estimular a exportação do produto, que no ano passado gerou US$ 2 bilhões em divisas para o Brasil, com um total de 26 milhões de sacas exportadas.

Herszkowicz só vê motivos para comemorar. "O que começou como uma pequena atividade agora já é um respeitável negócio. Temos qualidade e preços competitivos", diz. "Hoje o café brasileiro começa a ter sua qualidade reconhecida internacionalmente", afirma Herszkowicz, que cita como exemplo uma recente pesquisa da rede de TV ABC, dos Estados Unidos, sobre os melhores cafés disponíveis no mercado norte-americano do ponto de vista custo-benefício. De acordo com seus telespectadores, a rede brasileira "Bom Dia", com sua marca de exportação "Marquês de Paiva", conquistou um honroso segundo lugar, atrás apenas da marca local Starbucks, que também possui uma rede de cafeterias espalhada mundo afora.

Herszkowicz (dir): o café brasileiro vive um bom momento no exterior e os produtores nacionais estão sabendo explorar as novas oportunidades
Outro indicativo do novo posicionamento do café brasileiro no cenário internacional é a feira Fancy Food Summer, de Nova York, uma das maiores exposições de alimentos e bebidas dos Estados Unidos, que neste ano contou, na sua 51ª edição, com mais de 2 mil expositores.

Herszkowicz, que acompanhou em Nova York os exportadores brasileiros, conta que o Brasil foi o país com mais empresas de café participando do evento. " Esse é um fato que merece comemoração, uma vez que, há pouco tempo, nenhum exportador de café brasileiro freqüentava feiras do gênero. "

As marcas brasileiras presentes na Fancy Food Summer foram as Café Toleno, PollyCoffee, Cia. Orgânica, Café Tiradentes de Altinópolis, Café Santa Clara, Café Bom Dia, Café Damasco, Café Vellini, Café do Ponto e Café Unicoffee. Juntas, elas fizeram mais de 300 contatos que podem gerar negócios de US$ 1, 5 milhão a US$ 2 milhões por ano entre os próximos seis e doze meses. No prazo de até 24 meses, esse valor pode chegar a US$ 4 milhões. "Isto significaria acrescentar mais 40% à nossa exportação atual de café torrado e moído", diz Herszkowicz.

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