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Torrefadora de Monte Carmelo(MG) é primeira a aderir ao 4C

A torrefadora RJ Baiardi, de Monte Carmelo, na região mineira de Alto Paranaíba, é a primeira indústria brasileira a se tornar membro da Associação 4C, organização mundial que promove a sustentabilidade na cadeia produtiva do café. Com a adesão, a RJ Baiardi assume compromisso de "apoiar projetos de incentivo à sustentabilidade, assim como já fazem companhias multinacionais como, Sara Lee, Nestlé e Melitta", informa o diretor do Instituto Totum, Fernando Lopes.

No Brasil, o Instituto Totum, especializado em consultoria de sustentabilidade, é responsável por preparar as empresas para a adesão ao 4C, fornecendo orientação sobre os parâmetros da comunidade cafeeira internacional, auxiliando na documentação exigida e oferecendo treinamento para ajustes, quando necessários.

Segundo o diretor-executivo, Nathan Herszkowicz, da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), entidade que apóia o 4C, a meta é que em 2015 cerca de 50% de todo o café comercializado no mundo tenha padrão 4C. Nesse sentido, o Brasil tem sido capaz de aproveitar "oportunidade comercial importante", diz Nathan, referindo-se ao Vietnã, segundo maior produtor mundial de café, que já é o segundo principal país com unidades certificadas, justamente atrás do Brasil.

Os produtores brasileiros saíram na frente da concorrência. Estima-se que das cerca de 4,5 milhões de sacas de 60 kg de café certificadas pelo 4C atualmente, 60% são produzidas no Brasil. Já no mercado de grãos verdes sem certificação, o Brasil participa com apenas cerca de 30% do mercado global.

O gerente Administrativo, Danilo Moreira, da RJ Baiardi, informa que a torrefadora é de pequeno porte e está instalada na própria fazenda, chamada Juliana. A unidade processa cerca de 70 sacas por mês. Do total torrado, cerca de 10% é exportado para Angola. Segundo ele, a certificação da indústria é mais um avanço em termos de sustentabilidade.

Moreira salienta que a indústria se abastece com produção própria. A Fazenda Juliana, de 490 hectares, tem cerca de 186 hectares cultivados com lavouras de café, das variedades catuaí (45%), mundo novo (45%) e bourbon (10%). A produção este ano deve alcançar cerca de 10 mil sacas.

A fazenda tem 30 funcionários fixos, além de 15 trabalhadores temporários, contratados para a época de colheita, que está se encerrando. Segundo Moreira, todas as exigências trabalhistas e ambientais são respeitadas. Todos trabalham com Equipamentos de Proteção Individual (EPI). "Na ausência do equipamento, é feita uma advertência. Em caso de reincidência, o trabalhador é demitido", garante Moreira.

O gerente Administrativo informa que os cafés certificados proporcionam diferencial de preço em relação aos valores pagos no mercado. Graças à certificação, o café da Fazenda Juliana recebe adicional de cerca de 4 a 7 dólares em cada saca, dependendo das condições do mercado.

(Tomas Okuda)

fonte:
Site Agência do Vale
Data: 17/09/2008

 

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