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Perenidade preocupa companhias
A perenidade dos negócios, um dos principais pontos de apoio de estratégias sustentáveis, começa a ganhar importância para as companhias brasileiras.
Uma das que mais têm se preocupado com esse aspecto é a Petrobras, cuja natureza das atividades de maior representatividade no lucro depende da extração mineral de um produto finito. "Uma das principais discussões internas que temos na empresa é a que se refere à possível modificação de diretrizes de longo prazo", diz o diretor de relação com investidores da Petrobras, Helder Moreira Leite. "As consultorias especializadas em petróleo têm projeções muito variadas em relação à sua finitude. Algumas dizem que as reservas podem durar mais de 300 anos", afirma.
Segundo o executivo, entretanto, a sustentabilidade dos negócios da petrolífera também deve ser medida por outros indicadores. Na última década, a com-panhia dobrou sua capacidade de produção de petróleo, de 1 milhão para 2 milhões, aumentou em cerca de 30% o número de seus funcionários e multiplicou seu valor de mercado em oito vezes, para US$ 235 bilhões. "Do nosso valor de mercado, cerca de US$ 170 bilhões podem ser atribuídos aos ativos intangíveis da companhia. Somos, a quarta marca mais valiosa do País".
Para o coordenador da comissão de sustentabilidade do Ibri (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), Marco Antonio Fujihara, as instituições financeiras terão de protagonizar um processo de adoção mais clara de critério de sustentabilidade. Em sua avaliação, chegou a hora de os bancos serem mais ousados em oferecer produtos atrelados à temática. "Não vejo muita criatividade nesse sentido. O primeiro passo será estudar os índices globais de sustentabilidade", afirma.Para o estudioso, um bom exemplo a ser seguido é o do DJSWI (Dow Jones Sustainability World Index), que tem parâmetros bastante refinados de análise. As empresas candidatas a compor a carteira - formada por 319 de quase 60 setores econômicos distintos - têm de responder como descartam o lixo que produzem, se têm planos de redução de consumo de energia elétrica, como reciclam papel e se conseguem neutralizar as emissões de gases poluentes que seus funcionários emitem nos deslocamentos entre a casa e o trabalho. "No caso das instituições financeiras, há também dificuldades adicionais como ter de dimensionar a perenidade de sua carteira de clientes", diz Fujihara.
Das três empresas brasileiras que integram a DJSWI, duas são instituições financeiras, Bradesco e Itaú, os dois maiores bancos privados do País. Para o Bradesco, ser mais ousado na criação de novos produtos ligados à sustentabilidade dependerá de mudanças nas atuais métricas internas de vendas. "Sustentabilidade não é coisa de gente boazinha. É um importante filão de negócios", diz Jean Filiphe Leroy, diretor do banco. O Bradesco oferece a seus clientes cerca de 30 produtos nessa área.
Já o Itaú projeta que a possibilidade de oferecer novos produtos acontecerá pela ponta do crédito às médias empresas. "Temos de saltar da fase do discurso de rejeição a práticas inadequadas para uma outra, baseada na implementação de novas e boas práticas de sustentabilidade", afirma o vice-presidente executivo do banco, Antonio Jacinto Matias.
Para o presidente do Ibri, Geraldo Soares, tão importante quanto a adoção de ferramentas de sustentabilidade na gestão de empresas é uma política de divulgação adequada. "As companhias já não podem mais negligenciar isso."
fonte:
Gazeta Mercantil
Data: 17/07/2008
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