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Mercado espera renovação de Quioto
O compromisso de redução de emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa, firmado em Quioto, no Japão, é algo incerto a partir de 2012, até quando está definido o funcionamento do chamado Protocolo de Quioto. O acordo propôs um calendário pelo qual os países-membro (na maioria desenvolvidos) têm a obrigação de reduzir a emissão em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis registrados em 1990 entre 2008 e 2012. Quando esses países não conseguem reduzir a emissão, podem comprar créditos de carbono de países em desenvolvimento, como o Brasil, negócio que pode ser ameaçado pela não renovação do protocolo.
Mesmo com a atual indefinição, a expectativa das empresas que negociam créditos de carbono no Brasil é que o Protocolo de Quioto seja mantido. "Minha expectativa é que haja renovação do protocolo para um período de mais cinco a dez anos", espera Luis Carlos Paes de Carvalho, sócio da Araúna Energia e Gestão Ambiental, uma das companhias que atuam na área no Brasil.
"Se o protocolo não for renovado, será substituído de alguma maneira", prevê. Um dos fatores que levam Carvalho a acreditar na continuidade do acordo é a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos. O democrata, durante sua campanha, prometeu dar prioridade a questão das mudanças climáticas, o que gera expectativa quanto à adesão do segundo país mais poluente do mundo ao compromisso de reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa.
Carvalho lembra que os Estados Unidos são responsáveis por 33% de toda a poluição global e acredita que a adesão americana é "quase certa e deve acontecer nos primeiros seis meses de 2009, de acordo com as promessas de campanha". Quanto aos impactos que a suposta adesão teria no mercado
brasileiro de créditos de carbono, Carvalho está otimista e crê que a queda no preço dos créditos deve ser recuperada já no começo do ano que vem.
A atual crise econômica é também um dos elementos que está aumentando as dúvidas do mercado quanto à continuidade do Protocolo de Quioto e os impactos nas vendas de créditos de carbono daqui por diante. Mas Obama conseguiu influir positivamente nesse cenário de incertezas, segundo Maurício Moura Costa, diretor regional da EcoSecuties para América Latina, maior companhia negociadora de créditos de carbono do mundo. "Nossa expectativa é que a eleição do novo presidente americano culmine na adesão ao protocolo por parte dos Estados Unidos, além de medidas internas de diminuição na emissão de gases poluentes", espera Costa. "Obama tem o comprometimento de estar engajado nas negociações da Organização das Nações Unidas (ONU) quanto ao Protocolo de Quioto", diz o diretor que, apesar de acreditar que os EUA terão um papel primordial na resolução pós-2012, admite que os Estados Unidos ainda "não colocaram as cartas do jogo na mesa".
Costa concorda com Carvalho quanto à certeza de existência de algum acordo após o término do funcionamento de Quioto, mesmo que ainda ninguém saiba qual será o formato. O que resta saber é o que acontecerá com os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), ou seja, se acabarão, se mudarão e quais são os possíveis modelos futuros no caso de modificações.
Atualmente, o Brasil é um dos líderes mundiais em desenvolvimento de projetos de MDL, em terceiro lugar, atrás apenas de China e da Índia. No País, a redução prevista pelos projetos apresentados até o momento é de 190,1 milhões de toneladas de gás carbônico até 2012.
Por conta da incerteza pós-2012, Costa acredita que o mercado nacional está com potencial de geração de créditos bem menor que no início do funcionamento do protocolo por conta do aspecto temporal. Além disso, o Brasil largou na frente nas vendas desse tipo de crédito, mas vem perdendo espaço para Índia e China, o que na opinião do executivo foi um processo natural. "A China, por exemplo, é um dos países mais poluentes do mundo", lembra.
Costa admite que elaborar projetos levando em conta apenas o período até 2012 é muito pouco, por isso o que a empresa está procurando fazer no momento é fomentar o período posterior ao fim do protocolo. "Vamos viabilizar projetos e nos comprometer a comprar os créditos", garante.
Adoção de metas
Uma das possibilidades levantadas pela não definição dos acontecimentos pós-2012 quanto à continuidade do protocolo, e em que modelo, é uma suposta imposição de metas de redução de emissão de gases nocivos ao efeito estufa também para países em desenvolvimento como Brasil, Índia e China, por exemplo.
Carlos Delpupo, diretor do Instituto Totum, empresa qu negocia créditos de carbono, não acredita que isso vá realmente acontecer: "Acho muito difícil Índia e China se comprometerem com metas de redução no modelo de Quioto", analisa ele. "No Brasil, a possibilidade também ainda não é factível para 2012. Talvez para 2020. Não é algo que o Itamaraty defenda.", avalia.
Mesmo com a expectativa de que as comercializações de créditos de carbono sejam mantidas, a desaceleração natural nas negociações, fruto da crise econômica, já é percebida por Delpupo. "Os projetos socioambientais
como um todo diminuíram bastante, e isso impactou nos projetos de MDL, que por enquanto devem ser adiados", conta.
Apesar do cenário de crise, até primeiro de dezembro o Brasil mantinha a liderança no ranking de projetos de crédito de carbono na América Latina ( veja no box). Em segundo lugar na lista dos que mais reduzem emissões está o México, com e em terceiro o Chile.
fonte: YouSol e Gazeta Mercantil
Data: 19/12/2008
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