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A volta das matas nativas
A AES Tietê iniciou neste ano um projeto de reflorestamento de mata nativa - que resultou numa metodologia para a obtenção de créditos de carbono inédita no país
Estima-se que a Grande São Paulo produza e lance na atmosfera 3 milhões de toneladas de carbono em um ano. A AES Tietê, geradora de energia elétrica que atua no estado de São Paulo, pretende compensar esse mesmo volume de emissões num período de cinco anos com o reflorestamento de 126 espécies diferentes de mata nativa em reservas no entorno de suas dez hidrelétricas localizadas no interior paulista. A metodologia criada pela AES, aprovada pela ONU em outubro de 2007 dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto, é uma das poucas no mundo que envolvem obtenção de créditos pela reposição de mata nativa - e até então inédita por aqui.
O programa vai exigir que a AES Tietê invista cerca de 40 milhões de reais. No total, a empresa pretende reflorestar quase 5 700 quilômetros nas margens dos rios em que opera, com o plantio de 24 milhões de mudas até 2013. A estimativa é que a floresta compensaria a emissão de 6 milhões de toneladas de carbono ao longo de 30 anos. Considerando a cotação atual da tonelada do carbono no mercado europeu, esse volume de créditos poderia corresponder a cerca de 30 milhões de dólares. A medida também é importante para garantir a manutenção de seus reservatórios de água - e a própria atividade da companhia. Sem o reflorestamento, poderá ocorrer o assoreamento dos reservatórios, o que diminui a quantidade de água e, portanto, de energia produzida. "Como geradora de energia, a empresa garante sua longevidade com a preservação do meio ambiente", diz o presidente do grupo AES do Brasil e diretor-presidente da AES Tietê, Britaldo Soares.
Para tornar o projeto viável, Soares assinou em setembro um convênio com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo. A escola atua nas etapas de seleção de espécies, produção de mudas e plantio de restauração. Segundo o coordenador de atividades de campo do projeto da Esalq, Eduardo Gusson, os modelos e as técnicas de plantio levaram em conta a biodiversidade de cada região. Parte das mudas virá de um viveiro que a AES Tietê mantém na cidade de Promissão, a cerca de 460 quilômetros da capital paulista. O restante terá origem em viveiros cultivados pela população local - o que beneficiará cerca de 5 000 pequenos produtores que moram em áreas próximas às de atuação da empresa. Após o término do projeto, parte das mudas cultivadas por esses produtores poderá ser vendida para outras companhias- o que estimulará a geração de renda na região.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
“Após várias tentativas, a AES Tietê chegou à primeira metodologia brasileira para obtenção de créditos de carbono pelo reflorestamento de mata nativa. O dinheiro da venda desses créditos pode, no futuro, permitir que a empresa amplie a extensão de seu programa de reposição de florestas”.
Marco Fujihara,
diretor do instituto Totum
Essa não é a única maneira encontrada pela AES Tietê para monitorar e tentar diminuir o impacto de suas operações. Em 2007, a empresa investiu mais de 8 milhões de reais em projetos ambientais - neste ano, o orçamento aumentou cerca de 10%. Desde 2000, desenvolve programas de manejo pesqueiro com produção e soltura de 2,5 milhões de peixes por ano. Outra frente que ganhou espaço foi a de educação ambiental. No ano passado, a AES Tietê treinou mais de 10 000 habitantes das regiões próximas de suas operações para o consumo consciente de água e energia. Essa quase obsessão pela preservação do meio ambiente também foi levada para dentro da empresa. Há dois anos, a AES Tietê iniciou um programa para incentivar a redução de consumo de energia dentro dos escritórios. "No ano passado, economizamos 20% de energia elétrica. E queremos mais", diz o vice-presidente de geração de gestão de energia, Jorge Luiz Busato.
fonte: Guia Exame Sustentabilidade 2008 - Pág. 36
Data: 1/11/08
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