Notícias e artigos
Certificação na produção de café é exigência do mercado
O 4C – Código Comum da Comunidade Cafeeira – fornece serviços de suporte, treinamento e acesso a ferramentas e informações que resultam em mais qualidade e melhores condições de venda para os produtores de café. Dentre as principais vantagens para os produtores estão: melhor acesso ao mercado e condições de comercialização, melhor acesso ao crédito, mais transparência no mercado e melhores margens para seus produtos no mercado global de café.
Cada vez mais os consumidores procuram nas prateleiras dos mercados produtos fabricados por empresas comprometidas com a responsabilidade social e ambiental. Adquirindo café de empresas que são membros do 4C, o consumidor pode ter a certeza de que estas empresas estão comprometidas em aumentar a qualidade do café produzido, mas sempre levando em consideração o respeito à sociedade e ao meio ambiente.
Além do consumidor final, o comércio e a indústria também se sentem comprometidos a assumir esta responsabilidade: as empresas querem mostrar que se preocupam com a sustentabilidade, e adquirir café que atende a esses requisitos no âmbito econômico, social e ambiental é uma forma de fazer isso.
Atualmente, diz Celina Almeida, consultora do Instituto Totum, critérios de sustentabilidade são requisitos fortes para a comercialização de produtos no mundo todo, e com o café não é diferente: a associação 4C tem crescido significativamente, e o número de associados passou dos 37 fundadores para 81 membros (dados de Maio de 2008). Dentre os associados, a nível internacional estão: Kraft Foods, Melitta, Nestlé, Sara Lee, Tchibo, entre outros. Isso representa praticamente 50% da oferta potencial de café e 65% da demanda.
Toma lá dá cá
As torrefadoras associadas à Associação 4C se comprometem, no ato da filiação, a comprar quantidades cada vez maiores de café 4C no decorrer do tempo. Aderir ao Código 4C é uma forma de o produtor se preparar e se antecipar a esta demanda, garantindo venda futura de cafés sustentáveis aos membros da Associação.
Celina Almeida informa que a licença para venda de sacas 4C é concedida a estruturas chamadas de Unidades 4C, que podem situar-se em qualquer ponto da cadeia de fornecimento de café (cooperativa, produtores, associações, exportadoras, etc.), sendo condição essencial que movimente uma quantidade mínima de café de um container e disponha de um monitoramento interno básico para nomear uma “Entidade Gestora” da Unidade 4C.
Gestão do café
A Unidade 4C deve ter um sistema de monitoramento capaz de gerenciar todos os seus parceiros de negócios envolvidos na estrutura e movimentar uma quantidade de um container de café, e pode ser um produtor simples, uma cooperativa, exportadora, ou qualquer outro ponto da cadeia do café que atenda a estes dois requisitos.
Para adesão ao Programa 4C, o primeiro passo é tornar-se membro da Associação e comprometer-se com a melhoria contínua, visando às boas práticas para um bom café. A inscrição é um processo simples: primeiramente, deve ser preenchido um formulário de inscrição indicando a categoria de filiação. A taxa de filiação é paga anualmente, e o valor é definido pela quantidade total de sacas movimentadas por ano.
Após filiação e pagamento da taxa de Associação, há uma 2ª etapa do processo para aqueles que desejam obter a licença para venda de sacas 4C: o preenchimento de uma Auto-Avaliação da Unidade 4C e do Mapeamento dos Parceiros de Negócio.
O Mapeamento dos Parceiros de Negócio nada mais é do que um documento em que a Unidade 4C indicará a lista de todos os seus produtores individuais de café e de outros fornecedores que fazem parte desta Unidade (no 4C, todas as pessoas em contato direto com o café em uma Unidade 4C são chamadas de parceiros de negócio).
Já a Auto-Avaliação é o documento que reúne as informações sobre os parceiros de negócio da Unidade 4C, classificando o desempenho de toda a Unidade por meio do Código de Conduta 4C. Esse Código de Conduta possui 30 princípios básicos de caráter social, ambiental e econômico, que devem ser utilizados na produção, processamento e comercialização do café verde, além de 10 práticas consideradas inaceitáveis, que devem ser totalmente excluídas do desempenho de todos os membros de uma Unidade 4C.
Auto-Avaliação
A Auto-Avaliação contém a lista desses princípios e critérios do Código 4C, juntamente com indicações e exemplos que auxiliam a Unidade 4C a definir sua posição atual nas 3 dimensões. O documento funciona com o critério de semáforo, ou seja, cada princípio do Código é classificado segundo três cores: a classificação mais alta é identificada com a cor verde, a segunda com a cor amarela (significando que existe possibilidade de melhoria) e a terceira classificação é identificada com a cor vermelha (indicando que a prática deve ser abandonada o mais rapidamente possível). Para entrar no sistema 4C, a Unidade precisa atingir um nível de linha de base de sustentabilidade, que segundo a visão da Associação 4C, é definida através de um nível “amarelo” em cada dimensão do Código.
Segundo Celina Almeida, se a Unidade 4C atingir “amarelo médio” em sua Auto-Avaliação, poderá enviar os dois formulários preenchidos (Auto-Avaliação e Mapeamento dos Parceiros de Negócio) à Associação 4C. A partir daí, a Associação enviará um organismo verificador, e a Unidade 4C necessitará apenas de uma verificação bem sucedida para obter a licença para vender café 4C.
Os membros do comércio e indústria na Associação 4C se comprometem a apoiar atividades de capacitação através de suporte na realização de treinamento e workshops. Para a Unidade 4C, estas atividades podem ser de extrema importância: uma Unidade que confirme por meio de sua Auto-Avaliação deficiência de diversos produtores na dimensão ambiental no critério de conservação do solo, por exemplo, poderá solicitar à Associação 4C serviços de suporte para melhoria neste critério. Ou seja, a ferramenta de Auto-Avaliação ajuda a Unidade 4C a identificar áreas prioritárias para práticas de melhoria, além de um suporte para concretização de atividades que contribuam para essa melhoria de seus produtores.
Além disso, essas ferramentas ainda fornecem aos produtores o acesso a informações úteis, como: a dimensão atual de suas fazendas de café, a quantidade de café produzido e o número de empregados.
fonte: Revista Campo & Negócio nº 71
Data: jan/2009
Copyright© 2004-2010 Instituto Totum Ltda. - Todos direitos reservados.