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Palestra busca adesão de produtores e esclarece o que é o 4C
Da Redação
Santo Antônio da Platina
A última quinta-feira foi um dia atípico na Câmara dos Vereadores de Santo Antônio da Platina. Ao invés de uma seção política, a casa recebeu aproximadamente 100 produtores de café de toda a região que acompanharam palestras sobre o certificado 4C (Código Comum da Comunidade Cafeeira). Discursaram na câmara Luiz Henrique Ferroni, vice-presidente da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp), Odemir Capello, consultor do Sebrae de Jacarezinho, Fernando Giachini Lopes, diretor do Instituto Totum (representante oficial do 4C no Brasil) e Celina Almeida, consultora do instituto.
A palestra foi aberta por Ferroni, que começou ressaltando a importância da presença do pequeno produtor da região. “Nós temos aqui no Norte Pioneiro clima, relevo e temperatura ideais para a produção de um café de alta qualidade, um café especial, que é o que o mercado interno e externo busca atualmente”, disse. A temperatura média anual da região do Norte Pioneiro é de 20 a 22 Cº e com uma altitude de 500 a 700 metros, números considerados ideais para a produção de cafés especiais.
Ainda segundo Ferroni, a oportunidade de aderir a Acenpp aproximaria o pequeno produtor de grandes compradores de café do Brasil e de todo o mundo, como a Nestlé, por exemplo, uma vez que a associação já é filiada à Associação 4C, que tem autonomia para outorgar o certificado aprovando que o café é de alta qualidade. “O produtor que respeitar as normas pedidas pelo 4C serão reconhecidos como produtores de cafés especiais, o que chamaria a atenção da indústria e do comércio comprador de café”, completou.
Em uma segunda parte da palestra, Capello contou um pouco da história do projeto Acenpp, que, depois de dois anos de reuniões, diagnósticos, planejamento e parcerias, tornou-se um programa. “As reuniões começaram em 2006 em uma articulação entre Faep, Sebrae e Apac. O nosso grande objetivo, desde o começo, era resgatar o Norte Pioneiro na produção de café de qualidade e com isso agregar valor ao café produzido por produtores da nossa região, equiparando-se aos estados de Minas Gerais e São Paulo, que atualmente são referência no negócio”, explicou o consultor.
Ainda com a palavra, Capello listou aos quase 100 produtores, alguns pontos considerados importantes para conseguir a certificação do 4C. “É essencial que o produtor esteja capacitado e bem informado sobre o mercado e tecnologias, que tenha um representante político (grupo gestor), um bom apelou publicitário e uma marca forte que represente sua propriedade e, conseqüentemente, toda a produção de café especial do Norte Pioneiro”.
Como forma de marketing, considerada essencial, sobretudo no processo de venda do café, Capello ainda considerou a caracterização da bebida e a indicação geográfica da produção do grão como de extrema importância. “O certo é tornar a região de onde vem o café como um indicador de qualidade. Algumas marcas e produtos ficaram famosos por conta da sua procedência como Vinho do Porto, Café do Cerrado, Presunto e Queijo de Parma. Teríamos também, no caso, o Café do Norte Pioneiro do Paraná como chamativo aos grandes compradores”, explica o consultor do Sebrae.
Capello ainda lembrou que a região já é considerada tradicional no mercado, por produzir café a mais de 100 anos. “Uma pesquisa feita na safra de 2005/06 aponta que nossa região corresponde à cerca de 44% da produção de café do Paraná, com cerca de 7 mil produtores. Lembrando que o café produzido aqui é 100% do tipo arábico”, completou.
Após o discurso de Capello, que durou cerca de 20 minutos, ganhou voz Fernando Lopes. Representando o Instituto Totum, Lopes se apegou em sua palestra, sobretudo a questão da sustentabilidade do produtor de café. Manter um negócio perene com pensamento a longo prazo, ter preços acessíveis e adequados para o mercado, respeitar as questões sociais e ambientais fazem parte da “tal sustentabilidade” dita por Lopes.
“Desmatamento de florestas nativas, trabalho escravo ou infantil são inaceitáveis no 4C. Além de ser um absurdo, fatos como esses acabam comprometendo na sustentabilidade do produtor”, afirmou o diretor.
Lopes ainda listou outras proibições previstas pelo código de conduta do 4C. “O produtor que desejar se enquadrar nas ‘regras’ previstas pelo 4C não pode deixar de participar de sindicatos rurais e usar pesticidas banidos que são imorais no negócio e comprometem o recebimento do certificado do 4C”, exemplificou.
O diretor da Totum também explicou como é feita a verificação dos produtores em questão de economia, do trabalho social e do comprometimento com o meio ambiente. “São 3 dimensões avaliadas: dimensão social, ambiental e econômica”.
As propriedades, no caso do Norte Pioneiro seriam então verificadas pela Acenpp num prazo de 3 a 5 anos. Nessas verificações todas as propriedades seriam avaliadas. As médias nesse caso são divididas em notas verde (quando apresentam todos os requisitos), amarelo (considerada média, quando apresentam parte dos requisitos) e vermelha (quando apresentam uma ‘média’ abaixo do esperado, não concordando com os requisitos do 4C). “Nesse caso, todos os produtores devem estar com ‘notas’ acima da amarela. No caso da Acenpp, que pretende ter 100 produtores afiliados, todos devem ter nota acima da amarela, caso um produtor não corresponda com esses requisitos, todos os outros 99 acabam arcando com as conseqüências”, explica. Ainda segundo o diretor, a Acenpp realizaria as pesquisas e enviaria as amostras à sede do 4C no Brasil, em São Paulo, para a verificação final.
Data: 29/08/2008
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