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QUALIDADE
PADRÃO MÍNIMO SERÁ CERTIFICADO E MONITORADO
Programa de Qualidade do Café da ABIC contará com tecnologia inovadora e auditorias credenciadas que serão apresentadas no ENCAFÉ, mas que o Jornal do Café antecipa com exclusividade nesta edição.
Fundação Carlos Alberto Vanzolini, GAC - Grupo de Avaliação de Café e Embrapa - Instrumentação Agropecuária. É com esse time de primeira que a ABIC entra em campo com o seu Programa de Qualidade de Café.
Com áreas de atuação distintas mas complementares, os trabalhos e equipamentos disponibilizados por esses três organismos permitirão a certificação e o controle do padrão mínimo de qualidade dos cafés produzidos no Brasil.
A seguir, um pequeno resumo de cada um desses parceiros da ABIC e a sua contribuição ao Programa de Qualidade do Café.
CERTIFICAÇÃO - A ABIC foi buscar, para a área de certificação, a parceria da Fundação Carlos Alberto Vanzolini/Instituto Totum. Considerada um centro de referência em setores como engenharia de produção, assessoria, certificação, qualidade e produtividade, essa Fundação foi criada há 36 anos por um grupo de professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e inicialmente ministrava apenas cursos de especialização para capacitação de profissionais.
Mas, ao longo desses anos, ampliando sua área de ação, passou também a dar cursos e treinamentos na área de Gestão de Qualidade, concedendo certificados no âmbito de normas como NBR ISO 90001/2/3, AVSQ'94 e QS-9000 para Sistemas da Qualidade. Foi assim que se tornou a única entidade brasileira integrada à The International Certification Network (IQNet) - rede composta pelas mais importantes certificadoras de 28 países - o que outorga validade internacional às suas certificações.
Durante o Encafé, os participantes terão a oportunidade de conhecer o trabalho da Fundação Vanzolini e detalhes do Sistema de Certificação da Qualidade. Estará presente o seu Diretor de Qualidade, o engenheiro mecânico Melvin Cymbalista, auditor líder certificado pelo RAB-USP com larga experiência em consultoria empresarial em áreas como: administração da qualidade, sistemas de garantia da qualidade (ISO 9000), métodos quantitativos, administração de materiais e planejamento empresarial.
DEGUSTAÇÃO - Integrado por técnicos, engenheiros de alimentos, pesquisadores e especialistas em degustação de café, o Grupo de Avaliação de Café (GAC) foi criado há quase três anos pelo Sindicafé-SP, no momento em que começava a crescer, no Brasil, a demanda por cafés de alta qualidade. O objetivo era oferecer ao trade um serviço que a entidade já disponibilizava às torrefadoras, no seu Programa de Monitoramento de Qualidade, desenvolvido em parceira com o Ital: a avaliação da qualidade dos cafés torrado e moído.
Hoje, o GAC recebe amostras de café para análise de um público variado, que quer tanto conhecer e saber distinguir as diferenças entre as várias marcas quanto garantir um nível mínimo de qualidade. São empresas de catering, restaurantes, hotéis, cafeterias, varejo, supermercadista, grandes empresas consumidoras e até organismos públicos - a exemplo da Bolsa Eletrônica de Compras (BEC) da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, que desde agosto de 2001 adota, nas suas concorrências, o critério de Nível Mínimo de Qualidade.
A análise dos cafés é sensorial e realizada nos laboratórios do Centro de Preparação de Café de São Paulo. Após a avaliação, o GAC emite um laudo indicando a categoria do produto, suas principais características e seus atributos de qualidade. Trata-se de um procedimento que pode, e deve, ser repetido periodicamente, tanto para atestar a consistência do fornecimento quanto a manutenção dos padrões de qualidade inicialmente estabelecidos.
Atualmente, o GAC, que acaba de receber da Fundação Vanzolini o certificado de ISO 9001, também tem como meta o treinamento e a capacitação de outras empresas e grupos de técnicos no uso da metodologia de avaliação da bebida, e desde junho do ano passado oferece também cursos e conhecimentos sobre a correta degustação de café para os consumidores e apreciadores da bebida.
É por toda essa experiência e conhecimento que o GAC passa a integrar o Programa de Qualidade do Café da ABIC. Também durante o Encafé, os participantes terão a oportunidade de conhecer detalhes da dinâmica e metodologia do trabalho realizado por este Grupo e participar de degustações que estarão sendo promovidas no evento. Estarão presentes a coordenadora do GAC, a engenheira de alimentos Eliana Relvas Almeida, que também chefia o CPC-SP, e a nutricionista Mônica Pinto, da ABIC.
TECNOLOGIA - A parceira da ABIC na área tecnológica é a Embrapa Instrumentação Agropecuária ou, melhor dizendo, a "Língua Eletrônica", apelido dado a um sensor eletrônico desenvolvido pela empresa em sua unidade de São Carlos e que será utilizado no Programa de Qualidade do Café como um complemento ao trabalho dos grupos de provadores que estarão estabelecidos em diversos Estados do país.
A "Língua Eletrônica" é um aparelho portátil com um sensor gustativo mil vezes mais sensível que o paladar humano, e que permite, com rapidez, precisão e simplicidade, verificar, por exemplo, a qualidade de líquidos como sucos, vinhos, água e café. Pode também diferenciar, sem dificuldades, os padrões básicos de paladar - doce, salgado, azedo, amargo - em concentrações abaixo do limite de detecção do ser humano. O sistema também apresenta excelentes resultados na diferenciação de bebidas com o mesmo paladar.
Tudo isso é possível porque o aparelho dispõe de um conjunto de polímeros inteligentes (plásticos que conduzem eletricidade e são sensíveis a diferentes substâncias presentes no líquido) conectados a um medidor de respostas e a um computador. Para se ter uma idéia da capacidade do equipamento, vale dizer que ele é capaz de diagnosticar substâncias doces e salgadas a partir de 5 milimolar (partes por milhão), enquanto a língua humana só identifica o salgado a partir de 30 milimolar e, o doce, a partir de 10 milimolar.
O Programa de Qualidade do Café da ABIC é o primeiro a utilizar essa tecnologia, inédita no mundo. E quem vai explicar todo o funcionamento e capacidade desse sensor durante o Encafé é o seu próprio criador, o pesquisador Luiz Henrique Capparelli Mattoso, doutor em Engenharia de Materiais e chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.
BANCO DE DADOS DO CAFÉ
Trata-se de uma verdadeira "biblioteca" que está sendo criada pela ABIC com informações de cafés industrializados em todo o País, e que dá total credibilidade e embasamento técnico ao Programa de Qualidade do Café.
Inúmeras amostras de café torrado e moído estão sendo enviadas pelas torrefadoras para a sede da ABIC, no Rio de Janeiro. De lá, iniciam um grande roteiro de análise e avaliação por peritos no setor e retornam na forma de informações detalhadas sobre matéria-prima, padrão de qualidade, blends, tipos de grãos, torra, etc. É a partir de todas essas informações que a ABIC está montando um inédito Banco de Dados do Café industrializado no País, que pode ser considerada a mais completa radiografia ou mapeamento de todas as características do produto já realizado no setor.
As amostras são inicialmente enviadas para o Escritório Carvalhaes Corretores de Café, responsável pela classificação física e da torra do café. Em seguida, são remetidas para o GAC - Grupo de Avaliação de Café que determinará a Qualidade Global da bebida e seus atributos de qualidade. E, finalmente, todos os laudos seguem para a Embrapa Instrumentação Agropecuária, na unidade de São Carlos (SP), à qual cabe inserir as inúmeras informações no software do sensor gustativo "Língua Eletrônica", registrando os dados eletronicamente para posterior leitura e comparação entre bebidas de padrões tanto semelhantes quanto diferentes entre si.
"Utilizando a mais avançada tecnologia mundial para análise das características do café, nosso Banco de Dados vai garantir a total credibilidade do Programa de Qualidade para os consumidores brasileiros", comemora o presidente da entidade, Guivan Bueno.
O mesmo afirma Mônica Pinto, nutricionista da ABIC: "Com esse Banco de Dados, estamos assegurando a correta certificação da qualidade do produto", diz, acrescentando que, dessa forma, será possível agregar maior valor ao café. Ou seja: é a base para se comprovar se determinada marca de café pertence ou não a uma categoria específica de produto, se é gourmet, superior ou tradicional. "Com isso, o consumidor poderá saber exatamente porque está pagando a mais por um produto de melhor qualidade".
Para o corretor Eduardo Carvalhaes, o Banco de Dados da ABIC representa um avanço para o mundo do café em termos de análise. "A Língua Eletrônica é uma inovação para o mundo do café e vai contribuir para melhorar a qualidade do produto consumido no mercado interno e exportado. É um grande desenvolvimento na análise da qualidade do café, área em que já possuímos entidades de primeiro mundo, graças a importantes organismos como o Ital - Instituto Agronômico de Campinas e a Embrapa Instrumentação Agropecuária."
Fonte: Jornal do Café - Setembro/2003
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