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Indústria investe no café gourmet

Tomas Okuda

Torrefadoras que exportam planejam vender menor volume, porém com maior valor agregado.

A indústria brasileira exportadora de café torrado e moído mudou o perfil do negócio e investe em produtos de maior valor agregado, tipo gourmet. Segundo o coordenador-executivo do Projeto Setorial Integrado (PSI), Christian Santiago, de exportação de café, o produto tradicional brasileiro enfrenta forte concorrência, como da Itália e da Alemanha, que são agressivos em preços e volume de oferta. 'Em relação aos cafés tipo gourmet, o Brasil consegue ser competitivo no exterior.'

Santiago informa que a exportação de torrado e moído este ano deve apresentar recuperação, voltando aos níveis de 2003, graças à iniciativa de dar prioridade aos produtos mais finos. 'A idéia é exportar menor volume, mas com maior valor agregado', explica. No ano passado, a exportação de torrado e moído foi de cerca de US$ 8,4 milhões. Em 2003, o setor faturou US$ 12 milhões.

Com a mudança do perfil do café torrado e moído exportado, os preços médios tiveram elevação. O quilo embarcado no primeiro! trimestre deste ano é de cerca de US$ 3,79. Em 2004, foi de US$ 2,96/quilo, no mesmo período.

Exportação brasileira de café torrado

EMBARQUES PARA A FRANÇA
O PSI, que reúne o Sindicato da Indústria de Café de São Paulo (Sindicafé-SP), a Agência de Promoção para Exportação (Apex) e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), fechou acordo com a Hediard, importante rede de lojas de produtos alimentícios da França, para exportar 1 tonelada de torrado e moído a um preço médio de 6 euros/quilo.

Será feita uma campanha promocional, que vai vigorar ao longo deste mês, em seis das principais lojas na França. O produto exportado é de quatro empresas selecionadas pela própria Hediard. As marcas selecionadas são: Café Unicoffee (torrefadora Serra da Grama); Café Gourmet (Minas Estate Coffee Group); Café Marques de Paiva (Bom Dia Café) e Café América (Damasco).

A preocupação com a qualidade levou o PSI a lançar este mês normas de qualidade para cafés de exportação, desenvolvidas pelo Instituto Totum. Segundo Santiago, 'trata-se de um sistema de aferição da qualidade do produto'. O processo de certificação contemplará a auditoria das empresas para análise de boas práticas do mercado e gestão, com avaliação da acidez, aroma e sabor do produto. Conforme Santiago, existem hoje 37 empresas exportadoras de café associadas ao PSI. Dessas, cerca de 20 exportam regularmente e devem ser as primeiras a aderirem voluntariamente à certificação.

fonte: Jornal Estado de São Paulo, 01/06/05

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